Start / Insights / Artigos / [Data Science] “Um mundo de oportunidades para explorar”
Artigo

[Data Science] “Um mundo de oportunidades para explorar”

Data
19 de Maio, 2017

Os desafios da nova revolução de dados no setor público, de como se posiciona Portugal neste domínio, quais os impactos desta revolução na ética e confidencialidade foram os temas abordados na conferência “Data Science for Open Government”, que decorreu no passado dia 12 de Maio, na Porto Business School, e que contou com a presença de Maria Manuel Leitão Marques, Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, e Steve Macfeely, Head of Statistics da UNCTAD. Nas últimas duas décadas, Portugal tem registado avanços no que respeita ao desenvolvimento do tratamento de dados e oferta de serviços digitais que agilizam a relação entre o setor público e os cidadãos. Perceber qual a realidade atual, e tudo o que implica a partilha de informação, foi o mote para a realização desta Conferência que contou com a intervenção e participação de especialistas na área e com poder de decisão política, procurando-se obter a perspetiva do setor público e do privado.Durante a sua intervenção Maria Manuel Leitão Marques, Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, salientou que a atualmente “a utilização da informação é uma prioridade e uma urgência para a modernização das organizações”. Referindo, ainda, que “o princípio da transparência, da participação e colaboração de todos os envolvidos” a leva a crer “que não está tudo feito. Há muito a fazer”.Nesse sentido defende que “há que combinar saberes na investigação e que todos estão convidados a participar no desenvolvimento de soluções que visam transformar a administração pública na autonomização de procedimentos”.Sobre o uso de dados afirmou “que ainda não passa pela disponibilização destes. Passa por muito trabalho. O uso da informação é um mundo de oportunidades por explorar”. E adiantou que o futuro passa pela utilização de novas tecnologias para captar dados, com objetos mais inteligentes ou sensores nas cidades “que melhorem as políticas públicas e prevenir situações de risco e outros domínios”.A finalizar Maria Manuel Leitão Marques deu alguns exemplos de casos na administração pública, como o “IRS Automático”, o “Empresa na hora” ou o “A minha rua”.“Quem é o dono dos nossos dados?”Steve Macfeely, UNCTAD’s Head of Statistics, o orador principal da Conferência, focou a sua intervenção em torno do significado dos conceitos de Big Data e das vantagens, perigos da sua utilização e a restrição ao seu acesso. Como referiu “nós geramos informação e dados, mas não temos acesso a ambas”, dando os exemplos da Google e da Amazon.Para Steve Macfeely os dados trazem muitas vantagens, mas “têm de estar bem guardados e domesticados, caso contrário é a selva, podem corromper-se ou perder-se”. E aqui refere-se à sua utilização “e à proteção da privacidade. E deu um exemplo assertivo: “Os seguros de saúde. A partir de uma pesquisa no Google várias vezes sobre um tipo de doença e essa informação ser partilhada com a seguradora. A partir daqui a seguradora pode presumir que o seu cliente pode ter uma doença e isso vir a implicar alterações de contrato e até aumentos do prémio”. Acrescentando que “nós deixamos impressões digitais por todo o lado. Nos cartões de crédito ou na nossa localização através de um simples telemóvel”.Steve Macfeely defende a ideia que “organizar a informação é um bem importante e que o setor público não é tão eficiente quanto o privado neste aspeto”. Mas acha que “Portugal tem feito melhorias nesse sentido e que até estamos no Top 46 em Open Data… à frente de Espanha”. A concluir acha que é “aterrador o facto de as máquinas no futuro recolherem toda a informação e depois tomarem decisões. Não é simples nem fácil. Como iremos usar dados e informações é algo que tem de ser bem pensado e gerido”.