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Artigo

Um mês em Paris: a experiência de uma aluna da Porto Business School na KEDGE Business School

Data
22 de Setembro, 2026

A experiência de intercâmbio de Fátima Rodrigues enquanto aluna do International MBA da Porto Business School

Durante a licenciatura e o mestrado, optei por não realizar um intercâmbio internacional. Anos mais tarde, porém, comecei a arrepender-me dessa decisão. Ao longo da minha vida profissional e pessoal, fui ouvindo relatos sobre a forma como estas experiências tinham marcado os meus colegas, alargado os seus horizontes e criado amizades com pessoas de diferentes partes do mundo.

Por isso, quando decidi embarcar na aventura do International MBA da Porto Business School, havia algo que, para mim, era obrigatório: desta vez, faria um intercâmbio internacional!

Durante o primeiro term, a Sandra Fernandes e a Inês Nunes apresentaram-nos as várias oportunidades disponíveis através das instituições parceiras da Porto Business School. As possibilidades levavam-nos da Tailândia ao Brasil, passando por diferentes cidades, escolas e realidades culturais. Mais do que escolher um destino, estávamos a decidir que tipo de experiência queríamos viver e de que forma pretendíamos complementar o percurso iniciado na PBS.

Inicialmente, a minha escolha dividiu-se entre três destinos. Procurei perceber o que cada opção poderia acrescentar ao meu percurso e falei com colegas que tinham participado nos mesmos programas no ano anterior. Os seus testemunhos ajudaram-me a olhar para além das cidades e a pensar na experiência como um todo: a escola, os conteúdos académicos, as pessoas, a cultura e a oportunidade de sair verdadeiramente da minha zona de conforto.

Foi assim que acabei por escolher a cidade do amor: Paris.

Mais do que um destino

Queria viver numa grande capital europeia, estudar num ambiente internacional e perceber como seria construir uma rotina numa cidade onde não conhecia ninguém.

Cheguei com duas malas, muitas expectativas e, como seria de esperar numa nova cidade, algum receio. Estar sozinha obrigou-me a aprender rapidamente a orientar-me, a criar rotinas e, sobretudo, a sentir-me confortável com a minha própria companhia. Entre viagens de metro, caminhadas intermináveis e tentativas de aproveitar ao máximo cada dia, Paris foi deixando de ser apenas uma cidade que um dia tinha visitado para se tornar num lugar que, durante algumas semanas, senti como meu.

A experiência tornou-se ainda mais especial por não a ter vivido completamente sozinha. O Bamidele e o Olawale, meus colegas do MBA, escolheram o mesmo intercâmbio. Partilhar esta experiência com pessoas que já faziam parte do meu percurso na PBS trouxe uma sensação de familiaridade a um contexto inteiramente novo. Ao mesmo tempo, vivermos juntos esta etapa permitiu-nos conhecer-nos para além da sala de aula e criar memórias diferentes daquelas que levávamos do Porto.

Uma nova sala de aula

Na KEDGE, tive a oportunidade de frequentar módulos ligados ao universo do luxo, à inteligência artificial e à sustentabilidade, nomeadamente Luxury Export Strategy, Artificial Intelligence e Sustainability Marketing.

Além disso, a própria cidade permitia observar, fora da sala de aula, muitos dos conceitos discutidos nas aulas. As marcas, os espaços comerciais, a hotelaria, a gastronomia e a experiência urbana transformavam Paris numa extensão do campus.

O contexto internacional também trouxe novas perspetivas às discussões em sala de aula. Quando estudantes com diferentes origens, experiências profissionais e referências culturais analisam o mesmo desafio, as respostas raramente são iguais. Esta diversidade levou-me a questionar algumas das minhas ideias, a ouvir diferentes interpretações e a adaptar a forma como comunicava e trabalhava em equipa.

Para além de adquirir novos conhecimentos, o intercâmbio ajudou-me a perceber que a aprendizagem também acontece através das pessoas que encontramos ao longo do nosso percurso.

Paris para além das aulas

Ao longo do mês, procurei conhecer Paris para além dos seus lugares mais óbvios. Vivi a cidade através da gastronomia, da cultura, dos eventos e das pessoas. Houve dias preenchidos por aulas e trabalhos, mas também momentos passados em esplanadas, museus, restaurantes e ruas que pareciam conduzir sempre a uma descoberta diferente.

Um dos momentos que melhor representa esta experiência nasceu de uma conversa inesperada com uma canadiana que conheci em Paris. Estávamos ambas longe de casa e acabámos por falar sobre o que significa viajar sozinha: o desconforto inicial, a liberdade de escolher o nosso próprio ritmo e a abertura para conhecer pessoas com quem, de outra forma, talvez nunca nos cruzássemos. Foi uma conversa simples, mas fez-me perceber que estar sozinha numa cidade não significa necessariamente estar isolada. Muitas vezes, é precisamente essa abertura ao desconhecido que dá origem aos encontros mais marcantes.

Ao longo daquele mês, conheci também um grupo de pessoas que rapidamente passou a fazer parte dos meus dias em Paris. É curioso pensar que relações criadas num período tão curto podem ganhar uma importância tão grande. Em poucas semanas, partilhámos conversas, experiências e momentos que transformaram uma cidade inicialmente desconhecida num lugar mais familiar. Quando chegou o momento da despedida, percebi o impacto que aquelas pessoas tinham tido na minha experiência. Foi difícil dizer adeus a quem, apenas um mês antes, ainda não conhecia.

No entanto, viver numa cidade nova também me trouxe um desafio que não esperava. Paris tem uma oferta quase infinita de eventos e experiências, mas, nos primeiros dias, deparei-me com um problema: não sabia onde encontrar essa informação de forma simples. Havia sempre muito a acontecer, mas as sugestões estavam dispersas por diferentes páginas, plataformas e redes sociais. Mesmo numa das cidades mais dinâmicas do mundo, nem sempre era fácil descobrir o evento certo, no momento certo.

Perante esta dificuldade, percebi que o problema resulta, muitas vezes, precisamente da existência de demasiadas opções, sem uma forma simples de encontrar aquelas que realmente correspondem aos nossos interesses.

Viajar e descobrir novos espaços já faziam parte do meu projeto pessoal, o My Tasty Country. No entanto, viver em Paris permitiu-me olhar para esse interesse de outra forma. Já não estava apenas a visitar uma cidade durante alguns dias e a escolher os principais monumentos e restaurantes. Estava a tentar perceber como é viver nela, como se descobrem experiências relevantes e como se criam ligações quando chegamos sem uma rede de contactos.

Foi ao deparar-me com este problema que decidi passar da observação à ação, colocando em prática o espírito empreendedor estimulado pelo MBA. Em vez de aceitar aquela dificuldade como uma consequência natural de estar num lugar desconhecido, comecei a pensar numa possível solução. Foi assim que comecei a desenvolver o My Tasty Club, uma plataforma criada para reunir eventos e experiências num só lugar e ajudar outras pessoas a descobrir o que está a acontecer à sua volta.

O projeto surgiu de uma necessidade que senti na primeira pessoa. No entanto, ao conversar com pessoas que já viviam em Paris há vários anos, percebi que não era uma dificuldade exclusivamente minha.

Criar o My Tasty Club durante o intercâmbio foi também uma forma de aplicar aquilo que o MBA me tem ensinado: identificar um problema real, compreender quem o enfrenta e começar a testar uma solução. Paris deixou, assim, de ser apenas o cenário da minha experiência internacional e tornou-se o lugar onde um momento de desconforto se transformou no ponto de partida para uma ideia concreta.

O que trouxe comigo

Antes de partir, imaginava que a principal aprendizagem deste mês viria dos conhecimentos adquiridos na KEDGE. Estes foram, sem dúvida, importantes, mas acabaram por ser apenas uma parte da experiência.

Regressei mais independente e com maior confiança na minha capacidade de me adaptar ao desconhecido. Trouxe também novas amizades, diferentes perspetivas e uma vontade ainda maior de construir um percurso profissional e pessoal com uma dimensão internacional.

Mais do que aprender a orientar-me numa nova cidade, aprendi a confiar na minha capacidade de tomar decisões num contexto desconhecido, criar oportunidades e transformar o desconforto em curiosidade e ação.

Durante muito tempo, pensei que tinha perdido a oportunidade de viver uma experiência internacional por não o ter feito durante a licenciatura ou o mestrado. Hoje, sinto que aconteceu precisamente quando estava preparada para lhe atribuir um significado diferente.