Com formação em Engenharia Civil, Humberto Paulo Agrela Lopes procurou aprofundar a sua visão estratégica sobre o setor imobiliário através da Pós-Graduação em Gestão Imobiliária da Porto Business School. Nesta entrevista, partilha o que o motivou a frequentar o programa, os principais conhecimentos adquiridos e a forma como esta experiência reforçou a sua visão crítica sobre os desafios da habitação em Portugal.
O que o levou a procurar uma formação em gestão imobiliária após o seu percurso em Engenharia Civil? Porque escolheu a Porto Business School para frequentar o programa?
Após o meu percurso em Engenharia Civil na FEUP, senti necessidade de complementar a minha formação técnica com uma visão mais estratégica, financeira e de gestão do setor imobiliário. A engenharia dá-nos uma base muito sólida para compreender a construção, os processos técnicos e a viabilidade física dos projetos, mas nem sempre aprofunda temas como investimento, análise financeira, mercado, fiscalidade ou estratégia imobiliária.
Procurei esta formação porque queria tomar decisões de investimento mais informadas e consolidar uma visão mais completa do imobiliário, não apenas do ponto de vista técnico, mas também enquanto ativo económico e instrumento de criação de património.
Escolhi a Porto Business School pela reputação da escola, pela ligação ao tecido empresarial, pela possibilidade de aprender com profissionais com experiência real no mercado e pela disponibilidade de bolsas de estudo.
De que forma o programa o ajudou a compreender melhor a complexidade do setor?
O programa reforçou a minha perceção de que o setor imobiliário exige uma leitura multidisciplinar, em que a qualidade técnica de um projeto tem de ser articulada com financiamento, enquadramento legal, fiscalidade, procura, timing de mercado e estratégia de comercialização.
Um dos pontos mais relevantes foi o contacto com docentes e colegas que atuam diretamente no setor, muitos deles envolvidos em projetos e empreendimentos de grande escala. Essa partilha de experiências permitiu-me ter uma visão mais realista e transversal dos desafios e das decisões que existem por trás de cada projeto imobiliário.
Passei também a valorizar ainda mais a importância dos dados disponíveis sobre o mercado da habitação e a forma como estes podem apoiar decisões mais fundamentadas.
Que competências-chave desenvolveu ao longo do projeto final e que insights retirou desse trabalho?
O projeto final permitiu-me consolidar uma visão holística sobre o desenvolvimento de um projeto imobiliário, desde a análise inicial da oportunidade até à estruturação financeira, enquadramento legal, definição do produto, estratégia comercial e avaliação do risco.
No nosso caso específico, trabalhámos o conceito de “Built to Rent”, um modelo necessário e ainda pouco aplicado em Portugal devido às limitações do enquadramento legal.
Foi especialmente relevante perceber como diferentes variáveis — legislação, fiscalidade, custos de construção, procura, localização, financiamento e tendências de mercado — influenciam a viabilidade de um projeto.
Um dos principais insights que retirei foi que o sucesso de um projeto imobiliário depende da capacidade de integrar várias dimensões em simultâneo. É necessário compreender o mercado, antecipar riscos, estruturar bem o investimento e adaptar o produto à procura real.
De que forma esta experiência o preparou para contribuir de forma mais informada e crítica para o debate sobre habitação em Portugal?
Atualmente fala-se muito da crise da habitação e, muitas vezes, o debate público tende a procurar culpados imediatos, nomeadamente nos investidores ou nos profissionais que trabalham no setor imobiliário. A formação ajudou-me a olhar para este tema com mais profundidade e a perceber que o problema é estrutural, acumulado ao longo de vários anos e influenciado por múltiplas variáveis.
Compreender melhor a evolução do mercado imobiliário em Portugal, as questões de financiamento, o impacto das taxas de juro, a quebra de construção após a crise financeira e a forma como a oferta habitacional não acompanhou a evolução da procura permite analisar o problema de forma mais informada.
Essa visão não significa ignorar os desafios sociais associados à habitação. Pelo contrário, permite discutir o tema com mais responsabilidade, compreender melhor as causas do problema e explorar iniciativas públicas e privadas que contribuam para melhorar a qualidade de vida da população.
Acredito que o desafio passa por encontrar soluções que respondam às necessidades atuais dos cidadãos, sem deixar de tornar Portugal um mercado moderno, atrativo e competitivo — um país capaz de captar investimento, aumentar a oferta, melhorar a qualidade urbana e criar condições para uma sociedade mais justa, produtiva e equilibrada.
Que conselho daria a quem está a ponderar inscrever-se neste programa?
O meu conselho seria, antes de tudo, perceber bem se o programa está alinhado com os objetivos pessoais e profissionais de quem está a ponderar inscrever-se. É uma formação que faz muito sentido para quem quer aprofundar o conhecimento sobre o setor imobiliário, tomar decisões mais informadas ou evoluir profissionalmente nesta área.
Também é importante ter consciência de que exige tempo, compromisso e disponibilidade para acompanhar as aulas, desenvolver os projetos e tirar verdadeiro partido da experiência.
Por fim, diria para aproveitarem ao máximo o networking. A partilha com colegas, docentes e profissionais do setor é uma das componentes mais valiosas do programa e pode abrir novas perspetivas, oportunidades e formas de pensar o mercado. Recomendo particularmente a modalidade presencial do curso.
