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IT Management na Saúde: tecnologia emergente vai ser muito …

Data
14 de Julho, 2017

IT Management na Saúde: tecnologia emergente vai ser muito importante As Tecnologias de Informação têm assumido um papel de relevância no setor da saúde, agilizando processos de partilha de informação, com “data” de apoio à gestão clínica e ao tratamento e facilitando a relação entre profissionais de saúde e utentes. É um admirável novo mundo onde a Robótica e a Inteligência Artificial ganham cada vez mais relevância. António Carvalho Brito [ACB], diretor da Pós-Graduação em IT Management da Porto Business School e professor na Pós-Graduação em Gestão e Direção de Serviços de Saúde falou-nos do estado atual das novas tecnologias na saúde e do impacto destas no futuro do setor. Como é que analisa atualmente o setor da saúde no que toca à Gestão das Tecnologias de Informação?[ACB] De uma forma geral, e dentro dos hospitais, têm evoluído [as Tecnologias de Informação] de uma forma positiva, em particular no Processo Clínico Eletrónico que é, ao fim e ao cabo, um sistema que recolhe toda a informação dos utentes e que permite que os profissionais de saúde possam partilhar essa informação e tê-la sempre presente quando é necessária.Há sempre alguma dificuldade entre os hospitais – a interoperabilidade – porque há muitos subsistemas, desde as análises clínicas à radiologia ou aos cuidados intensivos e cardiologia, que têm, muitas vezes, aplicações próprias. Há protocolos que facilitam essa interoperabilidade, mas a ideia é concentrar toda a informação num local único. Acho que dentro dos hospitais, com melhor ou pior grau de atualização, as coisas vão sendo resolvidas.O problema surge muitas vezes quando se pretende comunicar entre instituições hospitalares, algo muito importante, hoje em dia. Daí que o objetivo do Ministério da Saúde – através dos serviços partilhados – tem vindo a tratar esse tema através da Plataforma de Dados de Saúde e que procura essa interoperabilidade entre os hospitais públicos.É um projeto muito válido, que foi implementado e está a funcionar. Isso implica que, quando um doente aqui do Porto se dirige a uma urgência no Algarve, os profissionais de saúde tenham acesso aos dados que estão no processo do doente. E isso já é muito positivo. O grande inconveniente é que só liga as instituições públicas. Está planeado o projeto alargar-se também às instituições privadas, o que coloca novos desafios, porque as aplicações são distintas. Na minha opinião, deve fazer-se algo semelhante ao que se fez nas finanças, que é forçar as instituições a fornecer informação em maior formato e, dessa forma, conseguir congregar toda a informação que é gerada nas várias instituições hospitalares. Creio que o caminho é esse.Mas isso implica que se partilhem dados sobre os utentes e que entram na esfera da privacidade. Quem terá acesso a esses dados?[ACB] Isso é um problema que preocupa cada vez mais as instituições de saúde, até por causa de questões como a cibersegurança, a confidencialidade e privacidade da informação. Com este novo regulamento vai ser mais difícil ter-se acesso a dados. O utente tem de dar autorização expressa e tem de ser clarificado quanto ao tipo de utilização dessa informação. Por exemplo, a informação está confinada a um tratamento específico. Seria grave uma instituição de saúde partilhar a informação com uma seguradora, até porque está completamente vedado. Há classificação de dados pessoais e sensíveis que não podem ser facilmente transferidos. Aliás, as multas são muito elevadas, o que leva a que todos tenham muito atenção e não queiram prevaricar nesse sentido.Ainda há muita coisa a mudar, não só na encriptação de dados e melhoria dos sistemas, mas também na cultura dos profissionais de saúde – o facultar das passwords é um exemplo – que creio que tenderá a melhorar e a proteger a privacidade dos utentes.O investimento em Tecnologias de Informação, no setor da saúde é suficiente ou deveria ser mais elevado?[ACB] O orçamento para a saúde, creio, ronda os oito mil milhões de euros. É um orçamento elevado, como é evidente, mas possivelmente, com um aumento do investimento nas tecnologias de informação [costuma ser na ordem dos 3% do orçamento, pelo menos, nos hospitais públicos] podemos aumentar a produtividade e reduzir custos em outras áreas e até no orçamento global. Algo que, provavelmente, seria muito positivo.No futuro, qual será o impacto das novas tecnologias e das Tecnologias de Informação, no setor da saúde? [ACB] O potencial é muito grande porque as Tecnologias de Informação têm evoluído muito. Dentro dos hospitais vai haver muita utilização de Robótica, da Internet of Things, ou seja, os aparelhos vão ficar ligados à Internet e vão comunicar entre si, o que vai facilitar muito a recolha de informação.Há também a questão da Inteligência Artificial, do Big Data, do Business Analytics e do Business Intelligence, que também são áreas muito promissoras. Já há várias tentativas, algumas com sucesso, como é o caso do Watson da IBM, que é um sistema de apoio ao diagnóstico e ao tratamento do cancro, em vigor nos Estados Unidos, e que usa mecanismos de Inteligência Artificial para apoiar o médico no seu diagnóstico e tratamento. Consegue [a aplicação Watson] ler oito mil artigos por dia, processá-los e criar uma base de dados com o histórico do doente, o que ajuda o profissional de saúde a tomar as melhores decisões. Não digo que substitua totalmente um clínico, mas fornece-lhe informação relevante. Também temos casos em Portugal, como o da plataforma HVital que a cada minuto analisa mais de 300 milhões de registos hospitalares, 24 horas por dia.Também há uma tecnologia emergente, que é a da realidade aumentada e a realidade virtual que, para a formação dos clínicos e mesmo para a questão da simulação das operações, vai ser muito importante.E a melhoria dos sistemas de informação, que ainda têm muito para evoluir, principalmente ao nível da interoperabilidade e da facilidade de utilização – algo que ocupa muito tempo aos clínicos com a introdução de dados. Por exemplo, em radiologia já se fazem os relatórios através da voz, que é transcrita automaticamente. Com o tempo, acredito que esta será uma realidade nas outras áreas da saúde.Fora do hospital penso que também existe muito potencial, com a utilização de sensores na roupa ou no corpo ou até de agentes inteligentes que podem circular na corrente sanguínea e estar constantemente a monitorizar o que se está a passar, permitindo ao médico acompanhar o paciente em tempo real, perceber se a situação se agravou ou não e até interagir com o paciente.E hoje, com as várias tecnologias disponíveis, estão sempre a surgir novas aplicações na área da saúde. Creio que mais se continuará a fazer, seja no apoio ao doente ou na recolha de informação. Até a comunicação através das redes sociais, com partilha de informação entre pessoas portadoras da mesma doença, pode ser muito útil. O potencial é muito grande, em termos gerais.As Tecnologias de Informação já estão a ter impacto em toda a sociedade e, no setor da saúde em particular, vão ter muito impacto. As pessoas vão passar mais tempo fora dos hospitais e ter menos custos. A sua qualidade de vida vai melhorar, não tenho dúvidas disso. E os clínicos vão passar a ter mais tempo disponível para os pacientes. Melhoram-se os serviços e, igualmente, diminuem-se os custos para o Estado. No fundo, a Gestão de TIs traz benefícios para todos, não só ao nível de conforto, mas também de redução de custos.